Quando você começa a sentir dores, perder a força nas mãos, braços, pernas ou coluna, ou percebe que sua saúde já não é mais a mesma por causa do trabalho, a primeira dúvida que surge é: “O que eu faço agora?”
A verdade é que, nesses momentos, contar com um advogado especializado desde o início faz toda a diferença. Isso evita erros, a perda de prazos importantes e até recusas injustas por parte do INSS.
Como advogado previdenciário e trabalhista, com mais de 22 anos de experiência em casos de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, e tendo atuado em centenas de situações semelhantes, eu sei o quanto essa fase mexe com a vida do trabalhador e da sua família.
Por isso, preparamos este conteúdo para te ajudar a entender quais são as doenças ocupacionais mais comuns e como garantir seus direitos junto ao INSS, sem medo, vergonha ou receio de represálias.
Quais são as doenças ocupacionais mais comuns?

Entre os trabalhadores da região de Itapira, especialmente aqueles que atuam em indústrias metalúrgicas, de papel e papelão, laboratórios farmacêuticos, hospitais, clínicas, fábricas de brinquedos, empresas de transporte, frigoríficos e processadoras de carne, nutrição animal, fiações e tecelagens, marcenarias e carpintarias, corte e costura, comércios, postos de combustíveis, usinas de açúcar e álcool, além das áreas de limpeza, produção e logística, algumas doenças ocupacionais aparecem com mais frequência.
A seguir, uma lista com as doenças mais comuns e como elas normalmente surgem na rotina de trabalho:
LER/DORT (Lesões por Esforço Repetitivo) – Ex: tenossinovite, tendinite
Exemplo comum: pessoas que digitam o dia todo, operam máquinas ou fazem movimentos repetitivos, como costureiras, operadores de caixa e trabalhadores em linha de produção.
Sintomas: dor constante, inchaço, formigamento, perda de força, dificuldade para segurar objetos ou levantar o braço.
Problemas na coluna (hérnia de disco, lombalgia, dorsalgia)
Exemplo comum: trabalhadores que carregam peso, motoristas, estoquistas, pedreiros ou quem passa muito tempo em pé ou sentado sem apoio adequado.
Sintomas: dor nas costas, travamento da coluna, dor que irradia para pernas ou braços, dificuldade para levantar ou sentar.
Doenças emocionais (ansiedade, depressão, transtorno de adaptação, burnout)
Exemplo comum: profissionais que enfrentam metas abusivas, clima de trabalho tóxico, assédio moral ou excesso de cobrança, como bancários, professores, call center.
Sintomas: tristeza frequente, cansaço mental, insônia, crises de choro, dificuldade de concentração e irritabilidade.
Problemas auditivos (PAIR – perda auditiva induzida por ruído)
Exemplo comum: trabalhadores de fábricas, construção civil, metalúrgicas e outros locais com ruído constante e alto.
Sintomas: zumbido no ouvido, perda auditiva progressiva, dificuldade para entender conversas, principalmente em ambientes ruidosos.
Síndrome do túnel do carpo
Exemplo comum: quem usa muito as mãos para digitar, embalar, costurar ou montar peças, como digitadores, costureiras e montadores.
Sintomas: formigamento ou dormência nos dedos (principalmente à noite), dor no punho, dificuldade para segurar objetos ou escrever.
Doenças por vibração (mãos e braços)
Exemplo comum: operadores de britadeiras, marteletes, lixadeiras, perfuratrizes e outras ferramentas vibratórias.
Sintomas: dormência, formigamento, perda de sensibilidade e força nas mãos, podendo evoluir para lesões permanentes.
Precisa emitir CAT mesmo em caso de doença ocupacional? Sim!
Muita gente acredita que a CAT só serve para acidentes. Mas isso é mito.
Se a doença tem relação com o trabalho, a empresa deve emitir a CAT.
E caso se recuse, o que infelizmente acontece muito, você pode pedir para:
- sindicato,
- médico,
- ou até o próprio advogado emitir em seu nome.
A falta da CAT atrapalha o processo, mas não impede você de ter seus direitos.
Quais são os direitos no INSS nesses casos?
Quando a doença tem ligação com o trabalho, você pode ter acesso a:
Auxílio-doença acidentário (B91)
É o afastamento pago pelo INSS quando a doença tem relação com o trabalho.
Vantagens:
- garante estabilidade de 12 meses após o retorno,
- recolhimento de FGTS durante o afastamento,
- facilita processos trabalhistas, caso necessário.
Aposentadoria por invalidez acidentária (B92)
Quando a doença impede o retorno ao trabalho de forma permanente.
Reabilitação profissional
Se você não pode voltar à sua atividade original, o INSS deve oferecer nova capacitação.
E o Auxílio-Acidente? Ele entra nesses casos?
Sim! Se depois do tratamento ou afastamento o trabalhador ficar com alguma sequela permanente, que reduza sua capacidade para o trabalho (mesmo que continue trabalhando), pode ter direito ao Auxílio-Acidente, um benefício indenizatório pago até a aposentadoria juntamente com o salário.
O que fazer para garantir seus direitos?
Aqui está o passo a passo básico:
- Procure atendimento médico imediatamente, quanto antes constar no prontuário, melhor.
- Comunique a empresa e peça a emissão da CAT.
- Reúna documentos (exames, atestados, laudos, mensagens sobre trabalho, vídeos ou fotos do ambiente).
- Solicite o benefício no INSS pelo Meu INSS.
- E, o mais importante, fale com um advogado especializado.
Muitos trabalhadores perdem direitos simplesmente porque não orientaram a documentação corretamente desde o começo, ou já chegam na perícia sem provas sólidas.
Exemplo real
Um operador de máquina de Itapira começou a sentir dor intensa no ombro após anos de movimentos repetitivos.
A empresa disse que “não tinha relação com o trabalho” e se recusou a emitir CAT.
Com orientação jurídica, reunimos prontuários médicos, fotos da função, histórico da produção e depoimentos. Mesmo sem a CAT, o INSS reconheceu a doença ocupacional, concedeu o auxílio-doença acidentário e garantimos a estabilidade de 12 meses após o retorno.
Sem apoio, provavelmente teria recebido o benefício errado e perdido a estabilidade.
Conclusão: você não está sozinho
Doenças ocupacionais são mais comuns do que parecem e, muitas vezes, surgem de forma silenciosa.
O mais importante é saber que você tem direitos e que não precisa enfrentar isso sozinho. Se você está passando por algo parecido ou tem dúvidas sobre a sua situação, conte com nossa equipe. Vamos analisar seu caso, sanar suas dúvidas e te orientar sobre o melhor caminho.


